Velocidade de circulação da moeda

Da Thinkfn
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A velocidade de circulação da moeda, velocidade da moeda, ou velocidade-renda da moeda, (velocity of money), é a frequência média com que uma unidade de moeda é usada como pagamento num determinado período de tempo. A velocidade afecta a quantidade de actividade económica associada a uma dada oferta de moeda. Caso o período de tempo seja conhecido, a velocidade pode ser apresentada como um número; caso contrário, deve ser apresentada como um número por período de tempo. Na equação das trocas, a velocidade é uma das variáveis chave na determinação da inflação.

Se, por exemplo, numa economia muito pequena, um agricultor e um mecânico, com €50 entre si, comprarem bens e serviços um ao outro num total de três transacções no período de um ano,

  • o mecânico compra €40 de milho ao agricultor;
  • o agricultor gasta €50 numa reparação do tractor;
  • o mecânico gasta €10 para ser desatolado pelo tractor;

então €100 mudam de mãos durante o ano, embora existam somente €50 nesta pequena economia. O nível de €100 é possível porque cada euro foi gasto, em média, duas vezes durante o ano. O mesmo é dizer que a velocidade de circulação do dinheiro foi 2/ano.

Na prática, as tentativas de medir a velocidade de circulação são normalmente indirectas:

V_T =\frac{nT}{M}

onde

V_T\, é a velocidade de circulação para todas as transacções.
nT\, é o valor nominal das transacções agregadas.
M\, é a quantidade total de moeda em circulação na economia(seja M0, M1, M2, ou M3; ver oferta de moeda para detalhes).

(Dada a dicotomia clássica, nT pode ser factorizado como um produto P\cdot T de um nível de preços P e um valor agregado "real" das transacções T.)

Sendo nT e M conhecidos, pode calcular-se V_T.

Um aumento ou redução da velocidade de circulação normalmente ocorre após um aumento ou redução da taxa de juro.

Como, no cômputo geral de uma economia, são de interesse as despesas no produto final, a relação pode ser expressa da seguinte forma:

V =\frac{nQ}{M}

onde

V\, é a velocidade da transacções que contam para o produto interno bruto;
nQ\, é o produto interno bruto nominal.

(Analogamente a nT, dada a dicotomia clássica, nQ pode ser factorizado como o produto P\cdot Q.)

Os factores que determinam a velocidade de circulação da moeda e a sua consequente estabilidade são objecto de controvérsia nas (e entre as) diversas escolas do pensamento económico. Aqueles que defendem uma teoria quantitativa da moeda tendem a acreditar que, na ausência de expectativas inflacionárias ou deflacionárias, a velocidade de circulação será tecnologicamente determinada e estável, e que essas expectativas não serão normalmente criadas sem que exista um sinal de que o nível geral de preços mudou ou irá mudar.

Ver também

Referências

  • Cramer, J.S. (1987). “velocity of circulation”, The New Palgrave: A Dictionary of Economics, v. 4, pp. 601-02.
  • Friedman, Milton (1987). “quantity theory of money”, em The New Palgrave: A Dictionary of Economics, v. 4, pp. 3-20.