Preço do Petróleo - Análise a vários prazos

Da Thinkfn
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Este artigo começou por ser um post de “update" no tópico principal sobre o petróleo do fórum (http://www.thinkfn.com/forum/viewtopic.php?t=421), explicando qual é a minha visão actual para o andamento dos preços. No entanto, à medida que o ia escrevendo fui ficando convencido que poderia ser apresentado como artigo, por cobrir uma série de questões de interesse geral que se manterão válidas por um prazo significativo, e por corresponder a um assunto que “mexerá” nos bolsos dos portugueses ao longo do ano de 2005...


Para o longo prazo (digamos, no mínimo, 5 ou 6 anos):

Nada alterou (ou poderá alterar, a menos que surja um milagre) o rumo de longo prazo para o preço do petróleo. Esse rumo é de subida. (O problema do "peak oil" não vai desaparecer. As realidades físicas não dependem dos desejos das pessoas...)

Por ter esta opinião “segura” sobre o rumo de longo prazo para o preço do petróleo, em termos pessoais estou “investido” em contratos de futuros para Dezembro de 1010, a apostar na subida.


Para o médio prazo (digamos até ao fim de 2005):

A minha expectativa é que este ano de 2005 vá ver ultrapassados os máximos dos preços de 2004 (cerca de $55.5). Espero um ano animado no crude, com fortes oscilações, em que na melhor das hipóteses (para os consumidores) os preços deverão rondar, por alturas do final do Verão os $55, mas em que na pior das hipóteses (para os consumidores), se voltarem a surgir problemas como (por exemplo) o dos furacões no Golfo do México se poderão ultrapassar os $80.

Em condições normais, espero que durante 2005 os preços do crude para entrega no porto de NY (os preços de que geralmente se fala, quando não se está a falar do Brent do Mar do Norte para entrega no UK) oscilem entre mínimos próximos dos $40 e máximos próximos dos $60.

É de notar que a capacidade máxima de produção mundial não deverá ultrapassar em muito a capacidade máxima de 2004, e o consumo deve subir uns 1.5 a 2.0 Mb/dia.

Assim, na altura de maior consumo a nível mundial (que coincide com a "driving season" dos USA) a capacidade máxima de produção mundial (e portanto a produção real, se a capacidade estiver a ser usada a 100%) deve ser igual ao consumo. Desta forma, qualquer problema pontual tornará a produção inferior ao consumo, provocando fortes subidas de preços.

Em qualquer caso, há que recordar que as reservas mundiais de crude (entenda-se reservas de petróleo já extraído e disponível em tanques nos países consumidores) são quase equivalentes a um ano de consumo normal, pelo que momentos com produção mundial ligeiramente inferior aos picos de consumo quase só têm efeitos psicológicos...


Para o curto prazo (digamos os próximos 3 meses):

Para o curto prazo é mais difícil realizar previsões, pois estamos a falar de variações de preços muito dependentes das oscilações do mercado financeiro de petróleo (principalmente os futuros da NYMEX), e este tipo de oscilações são extremamente difíceis de prever.

Uma coisa parece garantida: A volatilidade dos preços irá continuar. (Alguém poderá afirmar que acredita que o petróleo já nunca mais irá voltar aos $41? Alguém ainda duvida que os actuais $48 estão podem ser facilmente batidos pelos preços do petróleo, mesmo no curto prazo?)

Dessa forma, numa altura do ano que tende a ser relativamente calma nestes mercados mas em que os consumos do Inverno (principalmente com aquecimento) tendem, mesmo assim, a provocar subidas de preço limitadas, penso ser seguro esperar oscilações entre os $41 e os $50. Naturalmente, um acontecimento significativo (que reduza a produção mundial em 1 Mb/dia ou mais), poderá a qualquer momento fazer com que os preços atinjam os $55.


Para estes prazos curtos, apesar da extrema dificuldade de realizar previsões para os preços, existe muita informação que pode ser empregue para “balizar” as oscilações de preços que se podem esperar.

Para o suporte dos $41, gostaria de apresentar como um dos argumentos o gráfico da Figura 1. Este gráfico, e a importância psicológica do número redondo são os argumentos para a resistência dos $50.

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Figura 1 – Preço do contrato de Crude Oil de Março de 2005 da NYMEX.


Um outro argumento para esperar que os preços actuais do crude ainda venham a oscilar até perto dos $41 é a análise do mais recente “Short-Term Energy Outlook” da EIA, publicado em 11 de Janeiro (ou seja, ainda à menos de uma semana).

Este interessantíssimo relatório pode ser encontrado em: http://www.eia.doe.gov/emeu/steo/pub/steo.html

Nele pode encontrar-se uma previsão numérica do preço do petróleo para os próximos tempos:

“The projected average West Texas Intermediate (WTI) crude oil price for the first quarter of 2005 is about $43 per barrel, approximately $8 per barrel higher than in the first quarter of 2004 but $3 per barrel below the first quarter projection in the previous Outlook. WTI prices fell by $10 per barrel o­n average during the past two months due to: the o­ngoing restoration of oil production in the Gulf of Mexico shut in due to Hurricane Ivan, unseasonably warm weather in the United States, and rising U.S. and OECD commercial oil inventories in general. This Outlook extends the projection period through 2006. EIA’s initial assessment is that WTI prices are likely to remain in the $42-$43 per barrel range (on average) throughout 2005-2006.”

Adicionalmente, apresentam o gráfico da Figura 2, com a sua previsão para a evolução dos preços.

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Figura 2 – Previsão da EIA para o preço do Crude Oil de referência dos USA.


Mas o aspecto mais relevante deste relatório é assinalar que a situação das mundiais (para ser mais preciso, da OCDE) está corrigida em relação às deficiências de stocks de há um ano:

“Because oil demand growth is expected to remain strong in 2005-2006, U.S. oil inventories and inventories in the other industrialized countries are not expected to show much growth from end-2004 levels. However, the record levels of production by OPEC countries in recent months have finally resulted in inventory builds in the OECD countries. Commercial inventories in these countries, which had been relatively low compared to historical standards, rose above the middle of the observed 5-year historical range. In addition, OPEC (and world) production capacity rose by a half million barrels per day to 1.1-1.6 million barrels per day above current output levels, as Saudi Arabia de-mothballed capacity at several fields. However, even with this action, the global capacity utilization rate remains near 99 percent.”

Esta situação das reservas da OCDE está ilustrada na Figura 3.

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Figura 3 – Reservas de Crude Oil dos países da OCDE.


A par desta situação confortável dos abastecimentos e reservas a nível mundial, tambem as reservas dos USA tem andado razoavelmente bem ao longo das últimas semanas, com o agregado dos combustíveis líquidos (antes e depois de refinados) a apresentarem uma estabilidade que contrasta com o decréscimo típico desta altura do ano, e em resultado, a situarem-se cerca de 5% acima da situação de à um ano atrás.

(Para aprofundar esta última questão poderia justificar-se um novo artigo, mas os dados mais relevantes podem ser encontrados directamente no famosoWeekly Petroleum Status Report da EIA, cujo sumário para a semana mais recente pode ser encontrado aqui: http://www.eia.doe.gov/pub/oil_gas/petroleum/data_publications/weekly_petroleum_status_report/current/txt/wpsr.txt)


Como nota final, posso afirmar que, apesar da dificuldade que reconheço em realizar previsões para esta gama de prazos, tenho opiniões pessoais que me levam a estar investido.

Assim, para prazos curtos estou a apostar numa descida limitada dos preços. Os $43 são um objectivo de descida que me parece realista para as próximas 3 semanas, e me satisfará inteiramente, mas penso que (pelo motivos já apontados) os $41 serão um suporte que poderá voltar a ser testado.

Autor

Ming, em 16/01/2005

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