Porquê investir em acções dos EUA (V)

Da Thinkfn
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Este é o quinto e último de uma série de artigos sobre a hipótese de investir em acções dos USA.

A ideia principal aqui defendida é que, para investimentos relativamente longos no tempo (sempre de vários anos), os mercados financeiros (e as empresas) dos USA apresentam várias vantagens importantes em relação aos portugueses e mesmo em relação à maioria dos europeus.

Este quinto artigo, mais extenso do que os anteriores, discute a segurança e competitividade das economias dos USA, da Europa e de Portugal. Este aspecto é essencial para investimentos accionistas de longo prazo, visto que, em termos médios, as empresas de países menos competitivos, ou mais esmagados por impostos e por cargas burocráticas excessivas, tem muito maior dificuldade em conseguir bons resultados a nível empresarial e, por isso, em conseguir uma boa valorização bolsista no longo prazo…

Assim, vou apresentar uma comparação entre USA / Europa / Portugal com base em vários pontos sucessivos, recorrendo a alguns dados e links externos. Naturalmente as opiniões expressas são discutíveis, mas serão (tanto quanto possível, num artigo deste tipo) justificadas com base em factos claros.


“Risco país”

Nestes tempos em que, em larga maioria, a “comunicação social” europeia apresenta posições esquerdistas e anti-USA, os USA tem a fama de apresentarem um deficit público enorme, enquanto os pobres países da Velha Europa tem a fama de estarem disciplinadamente presos ao “estúpido” Pacto de Estabilidade e Crescimento que proíbe deficits públicos superiores a 3% dos PIBs (e dessa forma impede os volumes de “investimento público” necessários para “relançar” as economias): Que “comunicador social” actual é capaz de imaginar a hipótese de terem sido precisamente os volumes exagerados de gastos públicos que geraram a estagnação europeia? E quem é que ouviram, alguma vez, acusar os custos de manutenção das já monstruosas dívidas públicas de serem já, actualmente, um encargo muito pesado sobre as economias (sim, apesar das taxas de juro estarem em mínimos históricos que não deverão durar muito mais tempo)?

No entanto se olharmos para os factos, tal como apresentados pelas insuspeitas estatísticas do Banco Central Europeu (http://www.ecb.int/stats/pdf/comparison.pdf), no que diz respeito ao último ano completo de que já há dados, 2003, o deficit público dos USA (4.7%) é semelhante ao deficit real da “Zona Euro” (embora, claro, seja superior ao deficit maquilhado da Zona Euro: 2.7%).

Por outro lado, a dívida da Zona Euro é tambem maquilhada por efeito do famoso PEC, deixando por exemplo de fora a dívida monstruosa das empresas públicas – em Portugal, só a dívida das empresas públicas de transportes ultrapassa já os 10 000 Milhões de euros (sem qualquer gralha), segundo declarações recentes do ministro das OPTC, António Mexia. Assim maquilhada, esta dívida pública é em final de 2003, oficialmente, de 70.7% do PIB, enquanto a dos USA é de “apenas” 47.7%.

Ainda é de notar que os USA apenas consomem em gastos públicos 32.4% do PIB, enquanto a Zona Euro consome, depois das famosas maquilhagens, 49.1% do PIB. Ou seja: Os USA podem, se for essa a sua opção, aumentar a taxa global de tributação uns “meros” 5%, mantendo-a muito inferior à europeia, e através desse simples mecanismo, transformar o deficit público em superavit. (Bastaria por exemplo aumentar a tributação sobre os combustíveis para o nível europeu e passariam a ter superavit. Outra alternativa seria introduzir um IVA, mesmo com taxas bastante inferiores às europeias.)

Além destes aspectos, é de realçar que a taxa de crescimento da economia dos USA é (e tem sido, e presumivelmente irá continuar a ser) muito superior à da Zona Euro: 1.9% contra 0.9% em 2002, 3.0% contra 0.5% em 2003, cerca de 4.0% contra cerca de 2.0% em 2004, sempre recorrendo ao referido relatório do BCE. Esta taxa de crescimento muito maior dos USA, só por si, facilita muito o controlo do deficit público, por tender a aumentar os impostos cobrados e a reduzir os gastos futuros em apoios sociais.

Olhando para as economias domésticas, os USA têm tambem aí a fama de terem actualmente um grau de endividamento monstruoso. No entanto, em percentagem do rendimento anual dos agregados familiares a diferença para a Zona Euro está longe de ser muito grande: 113.4% nos USA contra 80.9% na Zona Euro. Aliás, esta diferença é compensada pela taxa de endividamento das empresas, que é 67.5% do PIB nos USA e de 78.9% na Zona Euro.

Naturalmente, aqui apenas estamos a comparar a situação dos USA com a da Zona Euro. As comparações da Zona Euro com Portugal apontariam claramente para uma situação “tão pior” de Portugal face à Zona Euro como é a da Zona Euro face aos USA. A esse respeito faço uma chamada de atenção para o artigo “Portugal em dificuldades”, que pode ser encontrado em: http://www.thinkfn.com/content/view/142/36/.


Competitividade e crescimento das economias

Os USA são actualmente um país mais rico e mais avançado do que a Europa. Esta situação, que pode incomodar alguns saudosistas da histórica “liderança europeia” (que de facto durou muitos séculos, desde a Grécia Antiga até à Primeira Guerra Mundial - ou até à Segunda se se preferir) e com certeza incomoda muitos esquerdistas, defensores acérrimos da “superioridade moral” europeia e do falido “modelo social europeu”.

No entanto, são os factos que apontam para um maior sucesso económico do modelo mais liberal dos USA, face às políticas socialistas actualmente prevalecentes na Velha Europa.

Assim, voltando ao já referido relatório do BCE (http://www.ecb.int/stats/pdf/comparison.pdf), podemos verificar que no final de 2003 os USA tinham um PIB per capita, em PPP, de 34.1 k€, face a apenas 23.5 k€ da Zona Euro (e entretanto a situação só se pode ter agravado, do ponto de vista da Europa – o rendimento em PPP não é afectado por alterações na taxa de câmbio). Em relação à produtividade do trabalho os USA tinham um índice de 119.7 face à referência de 100 da Zona Euro. E tinham uma percentagem de pessoas empregadas de 75.8%, face aos apenas 68.6% da Zona Euro.

Curiosamente, para desgraça dos socialismos europeus, os USA tem até uma percentagem maior da riqueza produzida atribuída aos salários (com a diferença para 100% atribuída ao capital): 70.0%, face a apenas 69.1% da Zona Euro.

Sendo então os USA um país mais rico e mais desenvolvido do que o conjunto da Europa, e em particular do que da Zona Euro (e com uma diferença ainda maior para Portugal), seria de esperar que a Europa (e ainda mais Portugal) estivessem neste momento a crescer mais, para atingir o nível de riqueza per capita que os USA provam ser possível com a tecnologia e disponibilidade de recursos do mundo actual.

É de notar que esta sempre foi, através da história, a realidade objectiva: Países mais atrasados e/ou menos ricos conseguem usualmente atingir taxas de crescimento económico bem mais elevadas do que as atingidas pelas economias mais avançadas e mais maduras (em termos de já terem incorporado todos os avanços tecnológicos e organizativos conhecidos e disponíveis). Como exemplos de situações deste tipo, em que países “emergentes” têm taxas de crescimento maiores do que as dos países já mais “desenvolvidos”, por estarem nesse momento a incorporar na sua economia os avanços (tecnológicos, de gestão, de organização nacional, etc.) que os países mais ricos/avançados já incorporaram antes, considerem-se: O caso extremo do Japão, no séc. XIX. O caso da Alemanha, depois da 1ª Guerra Mundial (e principalmente nos anos 30). O caso da Europa, depois da 2ª Guerra Mundial (e principalmente na década de 50). Em termos actuais, são bons exemplos a Irlanda, a China, os países do Leste Europeu, a Rússia e restante FSU.

É claro que além da componente tecnológica e organizacional, existe a componente de formação de capital, em que a falta de competitividade europeia tem sido altamente prejudicial: A Velha Europa tem exportando capital de forma intensa, pois investir por cá é muito pouco compensador…

Como resultado, nos últimos anos, o crescimento económico dos USA (já o país mais rico à partida) tem sido bem maior (aproximadamente duplo) do que o da Zona Euro, e o crescimento desta tem sido tambem bem maior do que o de Portugal (o mais pobre e atrasado dos países da Zona Euro). Além disso, as previsões de crescimento futuro apontam tambem exactamente no mesmo sentido: Maior crescimento nos USA do que na Zona Euro, maior crescimento na Zona Euro do que em Portugal.

É caso para rir dos políticos europeus (e ainda mais dos portugueses) quando falam de “agendas de Lisboa” e outros lirismos semelhantes.


Os USA tem melhores políticas e melhores políticos

Como é bem sabido o Presidente Bush foi recentemente reeleito nos USA, com uma maioria de votos populares que calou os extremamente activos opositores/inimigos internos e externos. Pouco depois da reeleição começou a dar sinais claros de pretender inverter a situação de excessivo deficit público dos USA.

Alguns exemplos de artigos que ilustram este facto:

“Bush vows 'tough choices' o­n spending”:

http://cbs.marketwatch.com/news/story.asp?dist=¶m=archive&siteid=mktw&guid=%7B43089488%2D9D16%2D4F93%2DB0FE%2DC056BEEBC889%7D&garden=&minisite=

“Bush: Deficit cuts key to strong dollar”:

http://money.cnn.com/2004/12/15/news/economy/bush_dollar.reut/index.htm

“Snow says deficit cuts vital for U.S. economy”:

http://yahoo.reuters.com/financeQuoteCompanyNewsArticle.jhtml?duid=mtfh98586_2004-12-15_21-54-11_n15613691_newsml).

“Bush Says Nest Eggs Will Be Protected; Social Security Plan Would Limit Risks”:

http://www.builderonline.com/industry-news.asp?sectionID=30&articleID=88323

Do meu ponto de vista pessoal, esta motivação para resolver os problemas reais do país relaciona-se parcialmente com a particularidade do sistema político dos USA não permitir um terceiro mandato aos presidentes (que funcionam tambem como chefes do governo): Nestas condições um presidente dos USA já não sente a mesma motivação para, ao longo do seu segundo mandato, se limitar a realizar políticas populistas, com vista a assegurar uma (nova) reeleição.

O contraste com o que se passa na Europa (e mais ainda em Portugal), é gritante: Por cá, os políticos limitam-se a procurar formas cada vez mais radicais e criativas para ir escondendo os deficits públicos monstruosos com que vivemos (caso da Alemanha, França, Itália, etc., e muito especialmente de Portugal) ou, quando são radicais de esquerda e estão fora dos assentos governamentais, vão ainda mais longe e limitam-se a clamar contra as restrições aos deficits públicos (convencidos que a fuga para a frente é a melhor política, e que os estados não tem limites nos recursos que conseguem ir pedindo emprestados…).


Considerações de política económico/social

Um aspecto relevante que me parece necessário referir aqui, é o do historial liberal de respeito pela propriedade que os USA têm exibido ao longo das últimas centenas de anos, face ao relativo desrespeito que a história da Europa ilustra no mesmo período. De facto, desde que os USA existem não há notícia de nacionalizações ou roubo institucional da propriedade dos indivíduos ou das empresas (apesar de acontecimentos tão dramáticos como a grande guerra civil que tiveram no século XIX). Na Europa, houve revoluções como a Francesa ou como a de 1917 na Rússia. Depois houve regimes socialistas confiscatórios (como o regime NAZI na Alemanha) e houve um grande número de regimes comunistas, com abolição total da propriedade privada.

Em Portugal, ao longo do período correspondente ao da história dos USA, houve períodos de completa anarquia, com guerras civis no século XIX, quase completa incapacidade funcional das instituições nacionais no princípio do século XX, e com o período “revolucionário” de 1974 e 1975. Nessa altura, ainda bem recente, quase todos os que tinham dinheiro investido na bolsa portuguesa (bem activa, antes do “25 de Abril”) perderam a totalidade desse dinheiro, ou quase. Nessa altura, tambem quem detinha empresas directamente (ou até quintas grandes), teve grandes probabilidades de as ter perdido.

Este tipo de risco é usualmente pouco discutido mas pode ser significativo tambem no futuro, e portanto pode bem ser relevante para uma análise actual da segurança dos investimentos por cá realizados.

A verdade é que a relativa facilidade com que estas apropriações da propriedade estabelecida acontecem na Europa (e ainda mais em Portugal) se relacionam com a visão social por cá dominante, de que quem é rico tem de ser um gatuno a abater, e quem (sem ser verdadeiramente rico) tem propriedades (dinheiro, bens físicos, etc.) deve ser tributado de forma a ser devidamente “igualizado” com quem não tem esse tipo de bens. (A isso chama-se actualmente, por cá, “solidariedade” ou mesmo “justiça social”.)

É tambem este tipo de visão dominante que, por cá, leva a maioria dos políticos (e até a maioria da “opinião pública”) a acreditar ser justo que os estados se apropriem de 50% ou mais da riqueza criada pelas sociedades, para depois a redistribuírem através de “investimento público”, de “benefícios sociais”, de gastos com a manutenção da própria (gigantesca) máquina burocrática do estado, etc.. Quem tem esta visão, esquece-se que a apropriação da riqueza (produzida com esforço por quem empreende, investe e trabalha) para distribuir pela enorme massa de assistidos/apoiados socialmente (através de serviços públicos e de entregas directas de dinheiro) é altamente negativa em termos de incentivo para novos esforços de enpreendedorismo ou investimento (e, em muitos casos, geradora de situações crónicas de “subsídio-dependência”, e muito desincentivadora da procura de trabalho).

Em contraste com esta abordagem socialista europeia, nos USA o estado continua a ser visto (numa perspectiva muito mais liberal, assumida mais pela população em geral do que pelas “elites” “politicamente correctas”, como foi comprovado pelos resultados das recentes eleições) como uma entidade que apenas deve recolher da sociedade o mínimo indispensável para assegurar as funções tradicionais de um estado nacional: Segurança pública interna e externa (incluindo um sistema judicial funcional), disponibilização de meios de comunicação (como estradas etc.), regulamentação (mínima) da vida em sociedade, prestação minimalista de apoio social (pois o essencial do suporte social é assegurado pela componente produtiva da sociedade, devidamente regulamentada). Devido a esta abordagem mais liberal, o governo e estado dos USA (apesar dos elevados gastos com a componente de defesa externa, militar e/ou de “inteligência”) consegue gastar menos de 1/3 da riqueza nacional produzida anualmente, em contraste com a situação europeia.

Em paralelo com o despesismo dos estados europeus, assistimos por cá a uma tendência extremamente significativa de regulamentação exagerada de todas as vertentes de funcionamento da sociedade (mais uma vez uma atitude ferozmente anti-liberal). Esta tendência de controlar a 100% todas as actividades da sociedade através de cargas regulatórias e burocráticas absolutamente asfixiantes é especialmente notória em Portugal.

No nosso país, esta carga esmagadora faz-se notar a todos os níveis, mas como bons exemplos podem-se apontar:

a) O código da Estrada, cada vez mais uma “lotaria ao contrário”, em que todos podemos ser apanhados (menos os governantes que são conduzidos por motoristas e a quem, em qualquer caso, as leis gerais não se aplicam) se tivermos o azar errado no momento errado, tendo muitas vezes a vida destruída (imagino o meu caso, se alguma vez ficar sem carta de condução).

b) Os variados regulamentos camarários, e muito em especial os ligados à construção de habitações. Neste caso aos regulamentos camarários juntam-se as limitações e regulamentações nacionais. O caso é tão extremo que nem vale a pena aprofundar detalhes. Quem já passou por isso sabe do que se trata. Quem nunca passou não acreditaria nas histórias que são reais mas que parecem inventadas por um dramaturgo alemão do princípio do século XX…

c) A constituição e fecho de empresas. Este exemplo, com especial peso na actividade económica, é radical: Os prazos portugueses são da ordem dos 2 meses (em termos reais, mesmo já contando com a “ajuda” de coisas como os CFEs). Isso multiplica por 30 os prazos típicos de países liberais e eficientes como os USA.

d) As regras fiscais. São tão complexas (distribuem-se pelo menos por 5 códigos completos!), e estão tão eternamente em alteração (no mínimo são alteradas todos os anos, na publicação do Orçamento Geral do Estado) que ninguém as conhece ou domina completamente (e muito menos os funcionários das Finanças, seja qual for o seu nível). Os resultados desta selva legislativa (e regulatória, porque além das leis há os regulamentos internos e as instruções internas de interpretação das leis mal construídas) seriam risíveis se não fossem trágicos para a actividade económica.

e) As regulamentações de trabalho. Em relação a estes dispenso-me mais uma vez de entrar em detalhes. Quem tem de lidar com elas, mais uma vez, sabe do que falo.

f) As leis e regulamentações que gerem o sistema judicial. Mais uma vez, parece-me que não é necessário aprofundar este tema. Todos sabem o estado da “Justiça” portuguesa, e conhecem casos de questões triviais que se arrastam 7, 8, 9, ou mais anos nos tribunais portugueses.

Os resultados desta abordagem burocratizante extrema são muito diversificados, e muito penalizadores para a actividade económica (além de para a liberdade individual, mas essa é outra história). Entre os resultados principais podem-se apontar os seguintes exemplos:

a) Uma enorme tendência para a pequena (ou grande) corrupção. Todos os que se envolvem em actividades económicas (mesmo as mais pequenas e comezinhas) sabem bem que há numerosas situações em que dizer que não a uns presentes “de amigo” aos funcionários certos é convidar a uma vida de sofrimento: Existem sempre leis ou regulamentos que, se invocados no momento certo (ou errado) por quem quiser vingar-se de um cidadão menos amigável lhe destroem qualquer perspectiva de dispor de tempo para trabalho produtivo, para já não falar dos prejuízos económicos decorrentes.

b) Um enorme bloqueio institucional de todas as actividades económicas. As demoras, os custos, e os bloqueios terminais das melhores opções, ocasionadas frequentemente pelo não funcionamento efectivo das instituições publicas e pelas leis/regulamentos construídos por políticos totalmente desfasados das realidades são tão proibitivos que desanimam qualquer um de tentar uma segunda vez lançar-se em actividades económicas (à primeira qualquer cai…). Isto é verdade tanto para cidadãos nacionais como para empresas estrangeiras que se instalam cá sem saber o que lhes vai acontecer, mas que uma vez percebidas as coisas apenas desejam sair o mais depressa possível…

c) Abordagens tão risíveis (e perversas) como o aparecimento de novos serviços públicos para ajudar os cidadãos empreendedores a lidar com as burocracias e cargas regulatórias inventadas por um estado delirante. Poderia citar vários exemplos, mas são algo especializados e suponho que descobri-los será um exercício interessante para o leitor. Assim, referirei apenas o aparecimento de serviços (por exemplo nos parques tecnológicos com função de incubação de empresas) que se encarregam de libertar os jovens empresários (ainda idealistas e ainda “perdidos” nos detalhes técnicos dos seus projectos empresariais) de parte das burocracias de criação das empresas, das contabilidades, etc.. Note-se que esta disponibilidade de serviços do próprio Estado para estes efeitos é extremamente benéfica para as pequenas empresas em lançamento (situação em que os seus fundadores ainda tem de dedicar o melhor do seu esforço ao objecto social da empresa ao invés de o dedicarem a cumprir com as burocracias do estado, e em que ainda não dispõem de recursos para contratarem bons contabilistas, advogados, etc.). No entanto, esta abordagem representa uma espécie de cúmulo da burocracia. Se este rumo for levado mais além, um dia teremos apenas instituições do Estado a interactuarem umas com as outras, sendo dispensada qualquer actividade privada, só geradora de confusão. Resta perguntar quem produzirá riqueza para alimentar essa “máquina burocrática universal”…


Considerações finais

Deste conjunto de factos e considerações resulta, na minha perspectiva, uma muito maior competitividade (e segurança futura) da economia e das empresas dos USA em relação às da Velha Europa (e, muito particularmente, em relação às de Portugal). Naturalmente a Europa actual está longe de ser uniforme, e o Mundo não se esgota nos USA e na Europa. Mas tratar (ainda) outras realidades sai fora do âmbito deste artigo.

Os efeitos ao nível da rentabilidade (e segurança futura) dos investimentos que decorrem das considerações tecidas acima são óbvios. No entanto cada “caso” (leia-se “indivíduo”) é um caso, e cada um tem de tomar as suas próprias decisões. Por mim (como quem ler este artigo concluirá imediatamente) já tomei as minhas.

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Autor

Ming em 24/10/2004

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