Porquê investir em acções dos EUA (III)

Da Thinkfn
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Este é o terceiro de uma série de pequenos artigos sobre a hipótese de investir em acções dos USA.

A ideia principal aqui defendida é que, para investimentos relativamente longos no tempo (sempre de vários anos), os mercados financeiros (e as empresas) dos USA apresentam várias vantagens importantes em relação aos portugueses e mesmo em relação à maioria dos europeus.

Este terceiro artigo discute algumas vantagens de dispor de um maior leque de escolhas ao nível das acções.


Vantagens de um maior leque de escolha ao nível das acções

Vimos no artigo anterior que nos USA existem actualmente cerca de 7000 acções cotadas nos mercados principais. (Para além destas 7000 existem muitas outras acções, de empresas menos conhecidas, cotadas nos USA, mas diria que essas outras só podem interessar a quem conhecer bem, e de perto, as empresas em causa, e para quem tiver um bom acesso aos mercados menos “internacionalizados” em que negoceiam.)

De uma forma geral as menos importantes destas 7000 acções apresentam uma liquidez que se aproxima da das acções de média-baixa liquidez do PSI20 português enquanto, claro, as mais líquidas apresentam um volume de transacções muito superior ao PSI20 no seu conjunto...

Assim, podemos apontar como primeira vantagem dos mercados dos USA a grande liquidez, que torna os mercados menos “manipuláveis” (ou simplesmente menos afectados por uma entrada ou saída de uma acção por parte de um fundo grande), e permite uma mais fácil entrada ou saída de posições por parte dos investidores individuais. Como contraponto, note-se que no mercado português até um pequeno investidor que queira, por exemplo, vender uns milhares de uma das acções menos líquidas do PSI20 (já para não falar das acções do mercado contínuo que estão fora do PSI20) tem quase sempre grandes problemas para as vender num prazo reduzido sem forçar a uma descida das cotações (e portanto a uma descida do seu preço médio de venda). Naturalmente, nas compras, o inverso tende tambem a ser verdade.

Outra vantagem importante que resulta do grande número de acções cotadas nos USA relaciona-se com a facilidade de encontrar numerosas empresas em qualquer sector de negócio. Mais uma vez, fazendo o contraponto com o nosso mercado doméstico, verificamos que não se encontra cotada uma única empresa petrolífera, nem uma única companhia de aviação, nem uma única clínica/hospital, etc..

Assim, para quem estiver interessado em aproveitar uma tendência social, económica ou física (por exemplo: envelhecimento progressivo da população, esgotamento físico do petróleo, etc.) que pode vir a beneficiar as empresas de uma área de negócio específica, é usualmente possível em mercados vastos como o dos USA encontrar suficientes empresas desse sector cotadas para escolher alguma(s) que pareça(m) ser um bom investimento. Em mercados muito limitados, como o português, para muitos dos sectores ou não se encontrarem empresas cotadas ou encontram-se tão poucas que acaba por não haver verdadeira escolha.

Ainda outra vantagem de investir num mercado com muitos milhares de acções cotadas é o facto de se assumirmos que em cada mercado a relação preço/valor fundamental das acções segue uma distribuição aproximadamente “normal” (Gaussiana) - o que se não for inteiramente verdadeiro não andará tambem muito longe da verdade - então num mercado com 7000 empresas será muito mais fácil encontrar casos extremos de empresas a cotar (muito) abaixo do valor justo do que num mercado com 70.

Esta última é, do meu ponto de vista, a maior vantagem de um mercado realmente vasto como o dos USA. Num mercado em que a maioria dos investidores (e em especial dos investidores institucionais) se concentra nas maiores 500 empresas (ou quando muito nas maiores 3000), mas em que para além dessas existem mais alguns milhares de acções ainda com razoável liquidez, boa prestação de informação, etc., resulta relativamente fácil encontrar acções “esquecidas” (ou pelo mais longe dos principais focos de atenção) que representam, por vezes, verdadeiras pechinchas.

No próximo artigo desta série, irei procurar apresentar alguns “screeners”, ferramentas que são indispensáveis para seleccionar as acções mais interessantes entre os milhares de acções cotadas nos USA, e discutir alguns parâmetros de busca usualmente presentes nestas ferramentas.

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Autor

Ming, em 24/10/2004

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