Bolha de crédito

Da Thinkfn

Alguns analistas [1] [2] [3] [4] indicam a possibilidade de as economias ocidentais viverem hoje numa "Bolha de Crédito".

Uma "Bolha" forma-se num mercado quando a única coisa que sustenta a progressão do mercado é a entrada de novos participantes, num esquema em pirâmide natural. Visto que o número de participantes possível é finito, todas as bolhas possuem um final previsível ainda que geralmente seja difícil de estabelecer o seu timing.

A razão pela qual se pode falar da existência de uma bolha de crédito, prende-se com 2 características desta que também a tornam análoga a uma pirâmide natural:

  1. Por um lado, os rácios de endividamento (rendimento/dívida) e de serviço da dívida são crescentes. Uma situação que é insustentável a prazo.
  2. Por outro, os termos necessários para captar novos devedores deterioraram-se fortemente (visto que cada vez existem menos devedores potenciais com capacidade de endividamento). Assim, ao longo do tempo assistiu-se na maioria dos países desenvolvidos Ocidentais a termos cada vez mais facilitistas (prazos mais longos, até 50 anos; "interest only" - período em que só se pagam juros, "opções de pagamento" - o devedor escolhe o montante a pagar mensalmente; "teaser rates" - taxas promocionais durante um certo período; financiamentos a 100%; "stated income" - O devedor indica sem provar, o seu rendimento).

Ao facilitar a tomada de dívida, por um lado esta bolha de crédito diminui o incumprimento ao facilitar o refinanciamento ("a rolling loan gathers no loss", uma dívida refinanciada não incumpre). Por outro, como os critérios são piores e os rácios de endividamento mais elevados, o risco de incumprimento da dívida aumenta substancialmente.

Um mecanismo que permitiu a atribuição de crédito de qualidade cada vez pior, foi a titularização e a criação de estruturados de crédito. Por um lado a titularização de créditos permitiu vender facilmente crédito, por outro a criação de estruturados permitiu transformar crédito de baixa qualidade quase totalmente em crédito de alta qualidade. Isto é conseguido pela divisão do estruturado em tranches, e pela atribuição das primeiras perdas às tranches mais baixas, o que eleva o rating (a qualidade) das restantes tranches. Adicionalmente a segurança das tranches pode ser aumentada pela "overcollaterization", pelo uso de seguros de crédito, e pela presença de uma tranche de "equity".

Também esse comportamento é análogo às pirâmides naturais ou esquemas de ponzi: estas funcionam extremamente bem (não produzem perdas) até ao momento em que deixam de funcionar e produzem todas as perdas num espaço curto de tempo. Este fenómeno já pode ser observado nos EUA, com o disparo do incumprimento de alguns segmentos de dívida (subprime), que dos níveis mais baixos da história passaram, em pouco mais de um ano, para níveis recorde.

Ver também

  • A bolha invisível, descrição do mecanismo de transformação de crédito e das suas consequências.
  • O poder dos incentivos, explica como todos as fases na cadeia de criação e venda de crédito ganhavam, tornando as suas acções racionais.
  • O modelo de originação, explica a alteração no modelo de originação, que aumentou a pressão para a concessão de crédito de uma forma exponencial

Referências

  1. "Credit Bubble Bulletin", Doug Noland
  2. Biografia resumida, Stephen Roach
  3. "United States Housing Bubble", Wikipedia
  4. "The Liquidity Puzzle", Robert Shiller