Análise técnica

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Podemos definir a análise técnica como um conjunto de técnicas que tentam prever o movimento das cotações, apoiadas em gráficos que representam o movimento histórico dessas cotações (sendo, por isso, também conhecida como análise gráfica ou cartismo) e em técnicas analíticas de previsão das oscilações bolsistas, baseadas em modelos matemáticos, estatísticos e econométricos.

Para a escola técnica, os gráficos traduzem o comportamento do mercado e avaliam a participação de massas de investidores que influenciam a formação dos preços, por isso, para os puristas da análise técnica, toda a informação capaz de afectar percepção dos investidores quanto ao preço e valor do activo, está espelhada nos gráficos[1].

História da análise técnica

O tão conhecido e actual índice de referência Dow Jones pode transportar-nos ao início da Análise Técnica, quando, em 1900, Charles Henry Dow elaborou os primeiros trabalhos estatísticos acerca da existência de ciclos no mercado de capitais.

Em 1879, Charles Dow entrou para a imprensa noticiosa Kiernan News Agency, uma agência direccionada para bancos, corretoras e research, onde conheceu Edward D. Jones, que também acabara de ser admitido naquela agência.

Três anos mais tarde, em 1882, Charles Dow e Edward Jones criaram a firma Dow Jones & Company, na Wall Street. Distribuíam uma newsletter[2] diária, de duas páginas, sobre o mercado de capitais, intitulada “Customer’s Afternoon Letter”, por toda a Wall Street.

Em 1889, Dow era o editor da primeira edição do “Wall Street Journal”, impulsionado pela antiga newsletter acima referida. Publicava vários artigos sobre o mercado de capitais, seguidos com atenção por toda a comunidade financeira e a partir dos quais desenvolveu a Dow Theory.

Em 1897, Charles Dow, com 46 anos, co-fundador da Dow Jones & Company, Inc., criou os actualmente conhecidos Dow Jones Industrial Average e Dow Jones Transportation Average. Originalmente, na Dow Theory, a tendência desses índices, constituídos por um determinado número de acções de referência, serviam como barómetro para o resto do mercado. A Dow Theory foi a mãe da Análise Técnica, enquanto resultado de inúmeras experiências e observações das cotações históricas. Se, inicialmente, a intenção não era prever os preços das acções, rapidamente, num trabalho subsequente, a teoria foi aproveitada para esse fim, resultando no que conhecemos hoje como Análise Técnica.

Análise técnica e o preço do mercado

O preço de mercado representa um consenso, no qual se dá o equilíbrio entre a oferta e a procura. É o preço a que um investidor aceita vender e outro aceita comprar, dentro das suas expectativas. As expectativas dos investidores relativas a determinado valor são espelhadas na cotação. Para os analistas técnicos, o comportamento dos investidores já é suficiente para uma tomada de decisão, não importando os motivos que levam os investidores a esse comportamento. Ou seja, o analista técnico acredita que toda a informação necessária está contida no preço (e algumas vezes no volume) e que todos os fenómenos podem ser explicados pelo movimento dos preços.

O preço está para o analista técnico como a rocha para o geólogo: para a maior parte das pessoas, uma rocha não passa de uma rocha, para um geólogo, uma rocha pode ser a chave do conhecimento da origem da Terra e pode responder e prever inúmeros acontecimentos da geologia. Os preços para o analista técnico, como a rocha para o geólogo, podem ser a chave para o conhecimento da origem de determinado movimento e podem prever a evolução futura. Os factos reproduzem-se nos preços e identificam o ritmo dessas reproduções, permitindo antecipá-los.

Para um purista da análise técnica, se o preço é baseado nas expectativas dos investidores, então o conhecimento sobre o que se deve comprar ou vender torna-se irrelevante, na medida em que se sabe o que outros investidores estão à espera para vender. Quer isto dizer que, se conhecermos o prémio ou o desconto que os investidores esperam face ao “valor justo” da acção, saberemos qual o futuro movimento dessa acção.

3 premissas da lógica da análise técnica

  • O comportamento do mercado corrige automaticamente as anomalias. Significa que na formação do preço se tomam em consideração elementos políticos, sociais, laborais e outros que influenciam as cotações, com excepção de actos de Deus (dos governo, estimativas, necessidades e informação secreta). Ou seja, o preço desconta todos os eventos possíveis, futuros, certos ou mesmo incertos e autónomos à vontade do investidor e cujo a ocorrência possa originar ganhos ou prejuízos. Dito de outra forma, o preço de mercado é uma boa referência do risco/recompensa de um activo.
  • Os preços formam-se dentro de tendências. É seguindo este princípio que se maximizam lucros continuando investido ou se cortam prejuízos saindo do mercado. Uma tendência que se iniciou tem mais probabilidades de persistir do que ser invertida. Como corolário desta corolário desta suposição, dizem os analistas técnicos que os preços tendem mais a movimentar-se em tendência do que a mudar de direcção, já que para mudar de direcção necessitam de qualquer influência externa.
  • A história repete-se, porque as pessoas também repetem os seus comportamentos. Os investidores tendem a reagir da mesma maneira a um conjunto de condições do mercado, cada vez que estas ocorrem. Estas reacções humanas manifestam-se no mercado, em transacções de compra e venda, constituindo os chamados padrões. Dado o grande número de participantes no mercado, a probabilidade de os padrões de compra e venda serem os mesmos numa ocasião e na seguinte é muito grande. Trata-se então de uma análise que se baseia no estudo do comportamento humano.

3 fontes principais de informação da análise técnica

  • Preço – elemento fundamental da análise técnica enquanto estudo do mercado que, em conjunto com o volume e/ou open interest, fornecem sinais de entrada e saída do mercado, com muito maior antecedência do que os sinais dados por outros indicadores. Isto porque o volume acompanha os preços, antecipando-se muitas vezes a estes.
  • Volume – são simplesmente o número de acções (ou contratos) transaccionados durante um determinado intervalo de tempo (minutos, horas, dia, semana, mês, etc.). O volume fornece indicações da intensidade de certos movimentos de preço.
  • Open Interest – válido apenas para os mercados de futuros e opções, corresponde ao número total de contratos e futuros ou opções em posse dos participantes no mercado no final do dia. Por esta razão, é um indicador que só tem interesse para quem transacciona futuros ou opções e não tem qualquer significado para quem transacciona apenas acções. O open interest mostra a liquidez de um contrato específico, contudo combinado com o volume pode dar bons indicadores do fluxo de entrada ou de saída de dinheiro do mercado.

Análise técnica Vs Análise Fundamental

O analista fundamental tenta prever o potencial de crescimento e de ganhos de uma companhia dentro do seu sector de actividade e na economia em geral, para assim tentar perceber se o preço da acção esta ou não ou seu justo valor e em função disso tomar uma decisão de investimento.

O analista técnico tenta, através da análise dos gráficos de preços, detectar padrões nos movimentos do mercado e níveis de preço que tenham sido várias vezes atingidos no passado, para assim servirem de indicadores fiáveis no futuro, independentemente da empresa, da sua posição no sector ou mesmo da economia em geral. Os analistas técnicos acreditam que os preços se movem em padrões previsíveis nos quais fundamentam a sua decisão.

Enquanto a análise técnica se baseia no estudo das acções do mercado (preços, volume e open interest), a análise fundamental centra-se nas forças económicas.

Certos adeptos mais radicais da escola fundamental, recusam admitir a validade da teoria da análise técnica com o argumento de que o movimento dos preços ocorre aleatoriamente (sem padrões). Por sua vez, os analistas técnicos mais radicais defendem que o mercado desconta todos os argumentos fundamentais nos constantes movimentos de preços.

Muitos investidores optam por uma abordagem fundamental para seleccionar o seu investimento e recorrem aos gráficos para definir o tempo de entrada e de saída do mercado.

Críticas e limitações da análise técnica

A principal crítica feita à análise técnica é a de que os gráficos são muito subjectivos.

Outra critica apontada surge sob a forma de interrogação, baseando-se no facto dos analistas técnicos defenderem que os preços passados podem ser usados para prever preços futuros. Segundos os críticos da análise técnica, os gráficos dizem-nos onde os preços estiveram no passado, mas não nos dizem nada sobre onde se poderão encontra no futuro. Os gráficos apenas constatam o que se passou.

Refutação das criticas e limitações da analise técnica

Quanto á critica de que o recurso a padrões de mercado procura da uma resposta ao facto de se poderem prever certos movimentos de preços, com base em padrões que se têm repetido ao longo do tempo, os analistas técnicos defende que os investidores estão familiarizados com determinados padrões e actuam em conformidade perante o seu aparecimento. Esta atitude origina uma previsão evidente, onde compradores e vendedores actuam em resposta a esses padrões.

Já no que diz respeito à crítica de que o passado não nos diz nada sobre o futuro, os analistas técnicos defendem que a previsão das condições meteorológicas num futuro próximo se faz com base em informações do passado. Também nos caso do estudo da população, evolução da indústria e outros, as previsões são baseadas na sua generalidade, em experiências passadas, para assim preverem a sua evolução futura.

Ferramentas principais da análise técnica

Referências

  1. No livro “Technical Analysis of the Futures Markets” de John J. Murphy, a análise técnica é definida como: “O estudo das acções do Mercado (preços, volume e open interest), através do recurso a gráficos, com o objectivo de prever no futuro a tendência do mercado”.
  2. Carta de Novidades: É uma forma da empresa, organização ou qualquer utilizador individual enviar informações sobre os mais variados assuntos (análises, notícias, etc.) para um determinado público que subscreve esse serviço. Actualmente, com a internet, a forma mais usual de envio de newsletters é através do correio electrónico.

Fontes

  • Viana R., Octávio , Estudos no Mercado de Capitais, Edição I, ATM/NYSE Euronext, pg. 73 a 81.
  • Pinto, Paulo; Oliveira, Hélio; Mateus, Nuno.Análise Técnica uma ferramenta fundamental, Edição I, ATM|Euronext, pg. 13 a 20.

Ver também

Artigos Think Finance