Balanço

Da Thinkfn
Revisão das 16h28min de 26 de outubro de 2007 por Incognitus (discussão | contribs)

O Balanço de uma empresa, é uma fotografia da situação patrimonial da empresa num determinado momento no tempo (geralmente no final de um trimestre, semestre ou ano).

Ou seja, o Balanço de uma empresa espelha o valor do que a empresa TEM - o Activo (os bens que possui, o dinheiro que possui, as dívidas que terceiros têm para com ela), o que a empresa DEVE - o Passivo (o que a empresa deve a terceiros, seja dívida bancária, responsabilidades ainda não pagas ao Estado, dívidas a fornecedores, etc) e a diferença entre o que tem e o que deve, a Situação Líquida (composta pelo Capital que foi usado para criar a empresa, pelo acumular de resultados positivos ou negativos ao longo dos anos de funcionamento da empresa, e por eventuais reavaliações de componentes do activo).

Normalmente, as rúbricas dos balanços estão ordenadas por facilidade de liquidação (prazo de liquidação).

Por exemplo, do lado do Activo teremos o Imobilizado (cujo valor demoraria bastante tempo a realizar se o quisessemos vender), depois activos mais líquidos, como existências, dívidas de clientes, etc, e por fim o dinheiro e equivalentes (aplicações de curto prazo).

Do lado do Passivo, teremos os passivos de longo prazo, como obrigações a longo prazo, dívida bancária a longo prazo, separados dos activos de curto prazo (que têm que ser pagos no próximo ano), como dívidas ao Estado, dívidas a fornecedores, dívida bancária de curto prazo, etc.

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É de alertar que tenderão a existir 2 colunas de valores por rúbrica por ano, uma com a rúbrica em valor "bruto", e outra em valor "líquido". É a do valor líquido que interessa, pois já considera os valores de balanço após amortizações, etc.

As partes destacadas a amarelo respeitam a activos e passivos correntes, realizáveis a menos de um ano, e forçosamente pagos a menos de um ano. Convém obviamente que exista em todos os momentos liquidez necessária para fazer frente às responsabilidades de curto prazo, pois a maior parte das falências dá-se não por a situação líquida da empresa ser negativa, e sim por crises de liquidez. Portanto, a relação entre o activo corrente e passivo corrente é bastante importante, especialmente nos casos em que a empresa esteja em dificuldades.

Esta relação é por vezes aferida usando-se o rácio de liquidez geral, que consiste na divisão do activo circulante pelo passivo circulante, ou o rácio de liquidez reduzida, que consiste em (activo circulante - existências) a dividir pelo passivo circulante.

É também do Balanço que vamos extrair a dívida líquida, usada depois no cálculo do Enterprise value. Essa dívida líquida consiste na soma das dívidas financeiras presentes no passivo (dívidas que pagam juros, como as que estão destacadas a bold no Passivo) subtraídas da liquidez presente no balanço, e de investimentos que possam ser convertidos em liquidez (assinalados a bold no activo).

Importará de seguida compreenderem como "funciona" cada rúbrica. Entender (entre muitas outras coisas), que:

  1. existem dívidas de clientes porque a empresa quando vende não recebe logo;
  2. existem dívidas a fornecedores porque quando a empresa compra não paga logo;
  3. que o activo imobilizado vai sendo amortizado ao longo do tempo;
  4. que os activos são contabilizados pelo seu custo pelo que podem existir activos como terrenos ou prédios que estejam subavaliados;
  5. que existem activos circulantes que em caso de liquidação poderão não valer o seu valor de balanço pois vão perdendo valor (existências);
  6. que o facto de dos clientes não pagarem o que devem pode criar uma crise de liquidez;
  7. que durante uma crise de liquidez, os fornecedores tenderão a não vender a crédito o que agrava essa crise;
  8. que existem negócios que vendem a pronto e compram a crédito, pelo que a sua expansão pode até ser financiada (em parte) pelos fornecedores;

... e por aí em diante. É o começo da compreensão de como funciona uma empresa, o estado em que está, e para o­nde eventualmente se poderá dirigir.

Os Balanços das empresas podem ser encontrados nos seus relatórios e contas, ou nos relatórios trimestrais/semestrais enviados às entidades de supervisão dos mercados o­nde as empresas em questão estão cotadas. Como tal, de forma geral é possível consultar estes elementos nos ditos sites (em Portugal, na CMVM, nos EUA usando por exemplo a facilidade "relatórios" no Think Finance, que liga ao sistema "Edgar o­nline" da SEC).